Segundo pesquisas do Ministério da Saúde e dados das Sociedades Brasileiras de Cardiologia e de Hipertensão, mais de 17 milhões de brasileiros são hipertensos. A porcentagem da doença aumentou em todas as faixas etárias, atualmente 63% das pessoas com 65 anos ou mais sofrem de hipertensão e dos 45 aos 54anos 34% são hipertensos.
A pressão arterial é uma variável sujeita a alterações condicionadas às várias situações, tais como estresse físico e mental. Portanto, o método clínico convencional de medida da pressão arterial é uma técnica limitada para a confirmação diagnóstica da hipertensão arterial.
O efeito decorrente do estresse da consulta médica sobre a pressão arterial foi descrito há mais de 20 anos. A medida da pressão arterial maior que 140 x 90 mmhg, em paciente que desconhece ser portador de hipertensão e sem evidencia de complicações dela decorrente, a possibilidade de hipertensão do avental branco, deve ser lembrada.
A elevação pressórica persistente no ambiente médico resulta com alguma frequência valores superestimados dos níveis de pressão arterial e erros no diagnóstico de hipertensão, resultando em tratamentos desnecessários e potencialmente danosos.
Exames de monitarização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) ou a monitarização residencial da pressão arterial (MRPA) são utilizadas como ferramentas para o diagnóstico de certeza dessa condição clínica. O valor médio normal da pressão arterial com estes em métodos deverá estar abaixo de 135 x 85 mmHg, no período de vigília.
A MAPA tem-se mostrado muito útil na avaliação do efeito e da hipertensão do avental branco, pois permite a medida intermitente da pressão arterial sem a presença do medico, na vida diária e também durante o sono. Esse método apresenta melhor correlação com morbidade e mortalidade cardiovascular do que a medida isolada de consultório.
A hipertensão e é responsável por 80% dos AVCs (acidentes vasculares cerebrais), 40% dos infartos e 25% dos casos de insuficiência renal terminal, não pode mais ser considerada como uma entidade única deve ser reconhecida como parte de um conglomerado doenças que somadas a outros problemas coexistentes envolvendo estilo de vida e estrutura genética se torna de maior complexidade.
Estratégias de investigação clínica e tratamentos devem integrar não só os investigadores, médicos e demais profissionais da saúde, como também os próprios pacientes, para o que o diagnostico de seja seguro e o tratamento eficiente.
Fonte: Rev Bras Hipertens. vol.15(1):46-50, 2008