A morte súbita por comprometimento cardíaco em um indivíduo aparentemente saudável é uma tragédia que leva a uma série de investigações para identificar a causa da morte e assim poder prevenir outros eventos em familiares potencialmente em risco.
Vários situações podem estar associadas à morte súbita relacionada ao exercício como as chamadas canalopatias, as miocardiopatias hereditárias, incluindo a síndrome do QT longo, a miocardiopatia ventricular polimórfica, a miocardiopatia hipertrófica e a miocardiopatia arritmogênica do ventrículo direito. A restrição de exercício tem sido um pilar histórico de terapia para essas condições.
O exercício provoca alterações hemodinâmicas e eventualmente isquêmicas as quais podem desencadear arritmias ventriculares levando a síncope e parada cardíaca. Historicamente, na presença de arritmias, especialistas optam pela cautela recomendando em geral restrição de exercício e, em geral, de forma mais rigorosa nas arritmias hereditárias. Com a evolução do conhecimento sobre as arritmias herdadas são diagnosticados formas mais leves da doença, questionando-se as restrições. Esta mudança tem sido impulsionada pelo fato de que estas são muitas vezes crianças e adultos jovens que desejam levar uma vida ativa.
Evidências recentes sugerem haver risco menor do que se pensava anteriormente nas arritmias relacionadas ao exercício em pacientes tratados, incluindo aqueles com cardiodesfibrilador implantável. Atualmente são revisada estas condutas, com ênfase na tomada de decisão compartilhada, monitorando a terapêutica, reforçando a consciência individual e da equipe onde o portador de arritmia estiver inserido planejando medidas de emergência, com maior permissividade para o exercício recreativo e competitivo.
Fonte: Can J Cardiol. 2016 Jan 14. pii: S0828-282X(16)00013-1. doi: 10.1016/j.cjca.2016.01.007.