Uma série de estudos sugere que o exercício físico pode modificar a estrutura do cérebro da mesma forma, assim como o sedentarismo também pode remodelá-lo. Estudos recentes alguns experimentais apontam a possibilidade de mudanças no cérebro de ratos sedentários quando comparados aos ativos.
O aumento da atividade da sistema nervoso chamado simpático desempenha um papel no desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A inatividade física da mesma forma que a atividade condicionam modificações na estrutura neuronal em regiões do cérebro associadas com a regulação cardiovascular. Os estudos sugerem que alguns setores cerebrais são mais excitáveis em sedentário do que nos fisicamente ativos, o que pode resultar em maior risco para a saúde.
Os pesquisadores estão agora debruçados em estudos que procuram avaliar o impacto do exercício sobre a estrutura do cérebro e sobre a cognição, que é o processo da aquisição do conhecimento através da percepção, da atenção, raciocínio, juízo crítico e linguagem. É necessário conhecer a influência do exercício somada às diferenças individuais de estilo de vida e genética, pois são todos aspectos importantes.
Pesquisadores americanos da Mayo Clinic publicaram uma meta-análises, de estudos prospectivos, documentado que o exercício reduz significativamente o risco de demência na meia-idade, do mesma forma que melhora as funções cognitivas após 6 a 12 meses de exercício, quando eram comparados sedentários com indivíduos ativos fisicamente.
Em idosos, após um ano de exercícios aeróbios regulares observou-se maiores volumes do hipocampo, que é uma estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano, considerada a principal sede da memória, consequente melhora da memória espacial e também atenuação da perda de volume da substância cinza que ocorre com a idade.
Redes cognitivas cerebrais estudadas com ressonância magnética evidenciaram melhora na conectividade após 6 a 12 meses de exercício. Estudos em animais indicam que o exercício facilita a neuroplasticidade através de uma variedade de bio-mechanismos, com a melhoria dos resultados na aprendizagem. O exercício induzindo a liberação de fatores neurotróficos no cérebro tem sido confirmado em vários estudos com animais, com evidência indireta em seres humanos. Além de um efeito neuroprotetor do cérebro, o exercício físico também pode atenuar o declínio cognitivo pela diminuição do risco vascular cerebral, pois melhora a microcirculação nos vasos cerebrais.
O exercício não deve ser ignorado como uma estratégia terapêutica importante.
Estudos futuros poderão demonstrar o potencial de exercício como uma ferramenta para corrigir uma variedade de doenças cerebrais debilitantes, bem como para maximizar o potencial cognitivo em desenvolvimento ou para diminuir a carga de declínio cognitivo associado com o envelhecimento.
Fonte
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3311131/
Mayo Clin Proc. 2011 Sep;86(9):876-84. doi: 10.4065/mcp.2011.0252.