Doença cardíaca nas mulheres, novos paradigmas para o diagnóstico precoce

Estatística publicadas após os anos 2000, apontam que as mulheres, quando acometidas por um ataque cardíaco são mais propensas a morrer que os homens. Estas estatísticas desfavoráveis podem ser justificadas por diversas razões, uma que poderia ser citada é que a maioria os estudos que estabeleceram os critérios de estratificação de risco para as mulheres, foram publicados nos anos 90, época em que as mulheres apresentavam baixa prevalência de doença isquêmica, quando comparado aos homens, na mesma faixa etária.
Esta ideia de doença cardíaca é menos prevalente em mulheres, norteou de alguma forma e, por muitos anos, tanto as condutas médicas como também milhares de mulheres que subestimaram os próprios sintomas.
A questão que esta sendo levantada é que estes estudos foram baseados numa população de mulheres nascidas na década de 40, quando a maioria das mulheres ainda não estavam no mercado de trabalho, permaneciam ainda nas atividades domésticas, com muito menor estresse do que as que nasceram após os anos 60, já competindo por emprego e carregando a sobrecarga adicional da atividades domésticas.
O Segundo paradigma que resulta em diferentes encaminhamentos, quando se trata de avaliar um homem ou uma mulher é em relação aos sintomas, por exemplo a presença de dor precordial e palpitações em mulheres, frequentemente são atribuídas a aspectos emocionais, que são arrolados para justificar as queixas, partindo da premissa que a doença coronariana nas mulheres não apresenta as mesmas características que as dos homens.
Estes preconceitos podem retardar o diagnóstico e aumentar o risco para as mulheres, pois, quando diagnosticado o problema podem ter desenvolvido doença mais grave.
Estudo multicêntrico recente, publicado pela Dra. Maria Rubini Gimenez e col. (JAMA Intern. Med. 2014;174(2):241-249), analisou 2.475 pacientes, incluindo 796 mulheres, que compareceram nas salas de emergência com queixa de dor torácica aguda, em nove hospitais (Espanha, Suíça e Itália), entre abril de 2006 e agosto de 2012. O propósito foi avaliar, no atendimento em emergência, as característica específicas da dor precordial e correlacionar com o sexo do paciente e com a presença de infarto do miocárdio. Os pesquisadores descobriram algumas distinções porém, nenhum padrão foi claramente característico das mulheres.
A conclusão da autora, Dra. Maria Rubini Gimenez, cardiologista do Hospital Universitário de Basel foi “Não devemos tratar as mulheres de forma diferente na sala de emergência quando apresentam dor no peito e desconforto “. Em vez disso, ela disse, todos os pacientes com dor torácica aguda devem ser avaliados, com diagnósticos apropriados, incluindo um eletrocardiograma e exames de sangue.
Cerca de 80 por cento das pessoas que têm dor no peito e desconforto torácico apresentam outras causas para estes sintomas (p.e. refluxo gástrico , dores musculares etc..),sintomas parecidos com diferentes origens e, esta estatística vale tanto para e homens como para mulheres.
A Dra. Louise Pilote, diretora da divisão de clinica e epidemiologia da McGill University , Hôpital Royal Victoria, em Montreal, referido-se ao livro de autoria de John Gray, “Os homens são de Marte , Mulheres são de Vênus, “, disse que a premissa defendida no livro é que homens e mulheres são ” de planetas diferentes – homens e mulheres se comunicam diferentemente, pensam, sentem, percebem , reagem, respondem amam, precisam e apreciam diferentemente” . Esta ideia se aplicada na sala de emergência, quando se trata de ataques cardíacos, pode ser uma tragédia. A dor no peito é um sintoma de um ataque cardíaco, tanto para homens e mulheres, e sim, “você tem que ir para a sala de emergência”, disse a Dra Pilote.
A doença cardíaca é um problema para os homens e para as mulheres. As mulheres devem estar atentas ao eventual aparecimento de sintomas e sempre que possível fazer consultas regulares aos seus médicos.