Atividade física e os ossos: que a força esteja com você

A atividade física responde por importante papel na prevenção da osteoporose, especialmente em idosos, porém, permanecem dúvidas de quais são, de fato, os exercícios mais efetivos para que estes resultados sejam alcançados.
Estudos sugerem que o impacto precisa exceder um determinado limiar para ter resultado benéfico para os ossos, provavelmente este impacto necessite ser de menor intensidade com o avançar da idade. Há estudos em andamento com o objetivo de identificar esse limiar em pessoas mais velhas, para que os exercícios possam ser mais eficazes no efeito de osteo-proteção.
Pessoas mais velhas são menos ativas fisicamente, estão mais frágeis, apresentam mais co-morbidades, além de fatores psicológicos , sociais e econômicos que contribuem para a diminuição do exercício físico, desta forma, vão se tornando cada vez mais suscetíveis ao surgimento de osteoporose e consequentes fraturas.
O risco de fratura de quadril é reduzido em adultos que permanecem mais ativos fisicamente, conforme dados de estudos epidemiológicos (Moayyeri A. Ann Epi- demiol ,2008). A fratura de quadril é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em pessoas mais velhas , levando à perda de independência, e a enorme custo econômico por aumentar despesas médica e sociais (Burge RT. J Med Econ (2001) .
Em termos de efeitos sobre a massa óssea, os exercícios podem estimular a formação óssea e, assim, melhorar a densidade mineral óssea através da exposição do esqueleto a tensão mecânica. Uma ligação fisiológica importante entre exercício e osso foi demonstrada por estudos em animais 30 anos atrás, atualmente, com novos métodos, é fácil demostrar que o esqueleto é particularmente sensível à tensão mecânica quando por exemplo, se faz a imobilização de um membro, por um período.
Os protocolos que combinam correr, caminhar e subir escadas constantemente melhoram a densidade mineral óssea, bem como, os treinamentos de resistência aumentam a força muscular, além de melhor a densidade mineral óssea do quadril dos idosos.
Especula-se se a história passada de atividade esportiva na infância e adolescência está associado positivamente com a massa óssea cortical em homens adultos jovens o que sugere a influência positiva da atividade de alto impacto sobre o osso possa ser um efeito persistente, adquirido ao longo de uma vida fisicamente ativa.
O esqueleto de indivíduos mais velhos, por várias razões podem ser mais sensíveis aos impactos baixos em comparação com as crianças e adultos jovens. Nas crianças e adolescentes a formação do osso é alcançada através de um processo de modelagem do osso com uma combinação de crescimento longitudinal e expansão periosteal, ambos regulados por níveis diferentes de tensão, no esqueleto maduro do idoso, em comparação, a remodelação óssea tem por objetivo a preservação de osso. Também, em pessoas mais velhas, devido à sua resistência óssea reduzida, um menor nível de impacto irá produzir maiores tensões.
A redução da atividade física tanto na intensidade quanto na frequência com o avançar da idade contribui para o aumento do risco de fratura osteoporótica. Exercícios de fortalecimento muscular e treinamento de equilíbrio específicos auxiliam também a preservar a força muscular , retardando preda da massa muscular e favorecendo a manutenção da função neuromuscular necessária para manter o equilíbrio e evitar a queda
Níveis mais elevados de atividade física beneficia uma ampla gama de sistemas fisiológicos em pessoas mais velhas , incluindo doenças cardiovasculares, respiratórias , metabólicas , neurológicas e função cognitiva, aumentando a expectativa de vida . A OMS recomenda que as pessoas acima de 65 anos pratiquem um mínimo de 150 minutos de exercícios de intensidade moderada, por semana.
Uma advertência importante é que os idosos devem realizar exercícios de forma segura e sem risco de lesões. Realizar atividades sem supervisão ou treinamento adequado, ou na presença de co-morbidades que afetam ossos e músculos ou mesmo função neurológica, pode levar a um risco significativo de quedas e fraturas . Portanto , além de encontrar que as atividades físicas são importantes para a proteção dos ossos, outra preocupação deverá ser garantir que eles podem ser realizados com segurança.
Fonte: HYPOTHESIS & THEORY ARTICLE – Physical activity and bone: may the force be with you – Endocrinol., 03 March 2014 | doi: 10.3389/fendo.2014.00020