À medida que a idade avança aumenta o risco para desenvolver doença cardiovascular. É na população de idosos que a doença cardiovascular predomina.
Na doença cardiovascular do idoso há um somatório do envelhecimento natural com a redução da capacidade funcional. Consequentemente, para melhor orientar estas pessoas é necessário compreender a complexidade da medição e o impacto da capacidade funcional na qualidade de vida.
O comprometimento da capacidade funcional nos idosos traz como consequência a doença cardiovascular, aumento da morbidade e mortalidade e redução da condição física para realizar as atividades da vida diária. Quanto menor a capacidade funcional maior a dependência do idoso.
Numerosos estudos documentaram, ao longo dos anos, a importância da capacidade funcional como preditor de eventos. A questão agora é aplicar este conhecimento a uma população cada vez mais longeva. A otimização da capacidade funcional e outras medidas de função física e de fragilidade tornar-se-ão ainda mais críticas à medida que a população continuar a envelhecer.
Embora o padrão-ouro para a avaliação da capacidade funcional seja o VO2, nem sempre o teste cardiopulmonar esta disponível. Além disso, o teste de exercício em idosos pode ser problemático, dada a maior prevalência de condições ortopédicas, neurológicas ou outras condições que comprometem a capacidade de exercício.
As medições, incluindo força e equilíbrio, são também métricas importantes de função e, em muitos casos, determinam mais fortemente a capacidade de um indivíduo mais idoso para permanecer independente, continuar trabalhando ou executar as atividades da vida diária com segurança.
Não existe uma diretriz específica que dite um cronograma de avaliações para pacientes idosos com doença cardiovascular. Dada a natureza dinâmica desta doença, uma avaliação periódica e normatizada da função parece razoável.
Os programas de intervenção de exercícios para adultos mais velhos devem ser projetados não apenas para aumentar a capacidade funcional máxima, mas também para direcionar a capacidade de realização de atividades da vida diária, manter a independência e otimizar a qualidade de vida. Como os déficits podem diferir consideravelmente entre os indivíduos mais velhos, a terapia com exercícios deve ser individualizada. Deve-se enfatizar a incorporação de metas significativas para um determinado paciente por exemplo, subir escadas, tarefas domésticas básicas ou atividades recreativas particulares, porque essas metas são mais tangíveis para o paciente e provavelmente são mais motivadoras.
Com o treinamento pode-se esperar uma melhora em todos os parâmetros de teste utilizados para quantificar força, equilíbrio, mobilidade e fragilidade em idosos.
Desta forma, é importante considerar a capacidade funcional como parte da avaliação cardiovascular em adultos mais velhos e assim definir a estratégia de tratamento.
Fonte: A Scientific Statement for Healthcare Professionals From the American Heart Association. Circulation. 2017;135:00–00. DOI: 10.1161/CIR.0000000000000483