A alimentação dos brasileiros vem sofrendo alterações ao longo dos anos por influências multifatoriais: mudanças sociais, econômicas, demográficas, tecnológicas e culturais as quais foram afetando o estilo de vida e o perfil de saúde da população. As principais mudanças ocorreram nas últimas duas décadas com a adoção de um padrão dietético com elevado teor de gordura saturada e de açúcar, baixo teor de fibras e aumento na proporção de alimentos industrializados. Somado a esses aspectos o conforme levantamento realizado em todo o país, em todas as classes de renda há consumo insuficiente de frutas, verduras e legumes. Todos estes fatores são agravados por redução dos níveis de atividade física o que aumenta o risco da população de desenvolver doenças cardiovasculares com o angina, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.
Segundo a Organização Mundial de Saúde a doença cardiovascular é a principal causa de morte no mundo, inclusive no Brasil, respondendo por 30% das mortes globais.
Em geral a doença cardiovascular decorre do processo de aterosclerose, que se desenvolve ao longo de décadas, podendo se manifestar pela primeira vez já como um evento fatal. A formação das placas de ateromas nas paredes dos vasos sanguíneos é decorrente de vários fatores chamados “fatores de risco cardiovascular”, que são: hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, diminuição do HDL-c, hipertensão arterial sistêmica, tabagismo, diabete mélito, obesidade, sedentarismo e história familiar de doença cardiopatia.
A melhor estratégia para a prevenção de eventos cardiovasculares , nas últimas décadas, é o controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular. O controle da pressão arterial efetivamente diminui a chance de eventos cardiovasculares, sobretudo de acidente vascular cerebral. Em relação à dislipidemia, diversos estudos, especialmente aqueles com as chamadas estatinas, demonstram que a redução dos níveis plasmáticos de LDL-c diminui a chance de eventos cardiovasculares, seja no caso de quem já apresentou um evento (prevenção secundária), seja no de quem nunca o apresentou (prevenção primária). Da mesma forma, a redução dos níveis de triglicérides e a elevação dos de HDL-c, também são consideradas potencialmente benéficas.
Há evidencia de que um componente inflamatório que, somado as demais alterações agrava o processo que desencadeia a formação das placas de ateroma. Estima-se que alguns medicamentos e modificações de estilo de vida reduzam o processo inflamatório limitando a progressão destas placas, resultando em benefícios.Hoje está claro que diferentes padrões dietéticos modulam diferentes aspectos do processo aterosclerótico e fatores de risco cardiovasculares.
O consumo de gordura saturada e trans são classicamente relacionados com elevação do LDL-c plasmático e aumento de risco cardiovascular, as repercussões da ingestão de gordura, no entanto, não se restringem ao metabolismo lipídico; o tipo de gordura ingerida pode influenciar também outros fatores de risco, como a resistência a insulina e a pressão arterial.
A importância dos carboidratos na gênese da doença cardiovascular também deve ser ressaltada. Supõe-se que a ingestão aumentada de carboidratos especialmente os de rápida absorção, favorece um desequilíbrio entre a oferta de lipídeos e os demais nutrientes, possibilitando o estabelecimento de hipercolesterolemia. O consumo de carboidratos refinados exerce efeito direto no excesso de peso e desenvolvimento da obesidade.
Alterações pós-prandiais, como hiperglicemia, hiperinsulinemia e hipertrigliceridemia, também têm se associado a risco cardiovascular aumentado. Neste sentido, os carboidratos ideais são aqueles com menor índice glicêmico, menor densidade calórica, maiores teores de fibras e água.
A nova diretriz enfatiza o quanto o padrão alimentar interfere na chance de eventos ateroscleróticos, quanto maior o nível de informação da população maiores as chances de corrigir distorções e melhoras as perspectivas do futuro, com menores chances de desenvolver doença cardiovascular. Para maior detalhamento sugerimos a leitura da I Diretriz sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular (http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Gorduras.pdf)
Fonte: I Diretriz sobre o Consumo de Gorduras e saúde Cardiovascular