Pessoas que são fisicamente ativas têm pelo menos um risco 30% menor de morte em comparação com aqueles que estão inativos. No entanto, a dose ideal de exercício para aumentar a longevidade é incerta.
Para buscar esclarecer esta questão foi realizado um estudo cujo objetivo foi investigar a associação entre a corrida e mortalidade, no longo prazo e por qualquer causa, centrando-se especificamente sobre os efeitos do ritmo, quantidade e frequência de movimentar-se.
Este estudo fez parte do Copenhagen City Heart Study, e foi publicado no Journal of the American College of Cardiology ( JACC), no ano de 2015. Ao todo eram 1.098 corredores saudáveis e 3.950 não corredores, igualmente saudáveis os quais foram acompanhados prospectivamente desde 2001.
Os corredores foram subdivididos em 3 grupos, de acordo com a dose de exercícios :
- Corredores com ritmo lento – cerca de 8 quilômetros por hora (correspondente a 6 equivalentes metabólicos [METs]), e < 2,5 horas de corrida por semana, com uma frequência de <= 3 vezes por semana.
- Corredores moderados – ritmo médio >= 2.5 h de corrida por semana, com uma frequência de <= 3 vezes por semana
- Corredores extenuantes ritmo rápido de mais de 11quilometros por hora (>= 12 METs) e > 4 h de corrida por semana.
Os resultados sugerem uma associação em forma de U entre todas as causas de mortalidade e dose de movimentar-se como dependente do ritmo, quantidade e frequência da corrida Neste grupo corredores de leve a moderada intensidade tiveram menor mortalidade do que nos sedentários, enquanto corredores extenuantes parecem ter uma taxa de mortalidade sem diferença estatisticamente significativa do o grupo sedentário.
Em geral, as diretrizes nacionais recomendam que todos os adultos devem se exercitar 30 minutos, realizando atividade física de intensidade moderada de preferência todos os dias da semana também, sugerem uma combinação de atividade de moderada a vigorosa intensidade, como andar rapidamente por 30 minutos duas vezes por semana e depois correr por 20 min em 2 de outros dias.
Os dados da literatura apoiam fortemente uma associação inversa entre o exercício regular e mortalidade. Em estudos longitudinais, homens e mulheres fisicamente ativos têm cerca de 30% menor risco de morte durante o acompanhamento em comparação com as pessoas inativas. Da mesma forma, o Copenhagen City Heart Study mostra que o aumento da sobrevivência entre os corredores foi de 6,2 anos para os homens e 5,6 anos para as mulheres. Contudo, na conclusão observou-se que movimentar-se até 2,5 h por semana de forma lenta ou ritmo médio e uma frequência de <= 3 vezes por semana foi associado com o menor mortalidade. Aqueles que movimentaram acima de 4 h por semana, a um ritmo rápido, e > 3 vezes por semana pareceu perder muitos dos benefícios da longevidade quando comparados com doses menos extenuantes de corrida.
Em geral, os corredores eram mais jovens, tinham menor pressão arterial e índice de massa corporal, e tiveram uma menor prevalência de tabagismo e diabete melitos. Havia uma sobreposição na faixa etária entre corredores (20 a 86 anos) e sedentários (21 a 92 anos). O ajuste de idade foi assegurado pelo modelo de Cox para serem feitas as comparações entre corredores e sedentários, embora houvesse grandes diferenças na média de idade nestes grupos. O número médio de anos de corrida foi de 10,1. Foram registradas 28 mortes entre os corredores e 128 mortes entre os sedentários
Fonte:
Peter Schnohr MD, DMSc, James H. O’Keefe MD, Jacob L. Marott MSc, Peter Lange MD, DMSc and Gorm B. Jensen MD, DMSc
JACC (Journal of the American College of Cardiology), 2015-02-10, Volume 65, Issue 5, Pages 411-419, Copyright © 2015 American College of Cardiology Foundation