Artigo de autoria do Dr. Enrico Mossello e colaboradores da Universidade de Florença, Itália, publicado em março de 2015 no JAMA de Medicina Interna sugere que, em idosos, com comprometimento cognitivo o “controle rigoroso da pressão arterial sistólica pode afetar negativamente a memória e o aprendizado, sugerindo que a pressão arterial sistólica diurna entre 130-145 mm Hg podem ser um alvo terapêutico mais adequado”.
Foram estudados 172 pacientes, 68% com demência e 32% com comprometimento cognitivo leve, maiores de 65 anos, 64% mulheres. A maioria dos pacientes tinha hipertensão e estavam em uso de anti-hipertensivos (69,8%). O propósito foi avaliar a relação entre a pressão arterial e déficit cognitivo, considerando que a pressão arterial no limite inferior da normalidade ou mesmo baixa poderia resultar em perfusão inadequada a um cérebro já prejudicado.
Eles realizaram um estudo de coorte observacional, onde os participantes foram avaliados com monitorização da pressão arterial de 24 horas (MAPA) e também com medidas de consultório.
Os pacientes foram divididos em tercis com base nos valores de pressão arterial sistólica obtidas pelo no MAPA: <128 mmHg; entre 129 e144 mmHg, e > 145 milímetros Hg) e medidas de consultório <125 milímetros Hg; entre 126-149 mm Hg; e > 150 mm Hg.
Após um acompanhamento médio de nove meses, o exame do Estado Mental dos participantes observou-se redução dos escores. O declínio foi maior em pacientes no tercil mais baixo de pressão arterial sistólica diurna do que os do tercil intermediário ou o mais alto. Pressão arterial sistólica diurna baixa foi associada a um maior declínio cognitivo só entre os participantes que recebiam anti-hipertensivos, independente da idade, pontuação vascular, co-morbidade, e déficit cognitivo inicial.
A Monitorização ambulatorial da pressão arterial se mostrou útil para ajudar a evitar excessos no tratamento da pressão arterial elevada nesta população.
Estudos maiores são necessários, porém, considerando que se trata de um estudo observacional. Neste estudo não se pode concluir que a terapia anti-hipertensiva é diretamente responsável pela associação entre a pressão arterial sistólica baixa diária e declínio cognitivo, advertem os autores. No entanto, consideram que esta na hora de repensar a premissa “quanto menor a pressão arterial melhor ” e sim buscar a otimização do tratamento preservando a função hemodinâmica o que poderá contribuir para desacelerar o ritmo de declínio cognitivo.
É prudente considerar a expectativa de vida de cada paciente (com base na idade, estado funcional e comorbidade), idade, preferências pessoais a respeito de metas de atendimento, especialmente em pacientes com comprometimento cognitivo ou fragilidade, e acompanhar de efeitos colaterais, disse ela.
Disse o Windham “é um desafio tratar esses pacientes que são também alguns dos mais vulneráveis”. Os médicos devem questionar especificamente pacientes mais velhos sobre possíveis sintomas adversos do tratamento excessivo com anti-hipertensivos, como síncope, quedas, ou cansaço. Os pacientes podem erroneamente acreditar faz parte do envelhecimento normal o que pode não corresponder à realidade.
O estudo foi apoiado pela Cassa di Risparmio di Pistoia e Fundação Pescia. Os autores e editorialistas não têm relações financeiras relevantes.
Fonte:
March 2, 2015 in JAMA Internal Medicine.