Infarto do Miocárdio com sem doença arterial obstrutiva justifica o uso do tratamento convencional?

O Infarto do miocárdio, na maioria das vezes, decorre de uma obstrução em uma das artérias coronárias, porém, 5 a 10% ocorre em artérias coronárias livres de lesões.
Estudo realizado na Uppsala University, Uppsala, Suécia pelo Dr Bertil Lindahl e colaboradores, publicado em 08 de fevereiro último na revista Circulation avaliou se o  tratamento recomendado para as pessoas com infarto do miocárdio com comprometimento obstrutivo das coronária é efetivo para melhorar o prognóstico de pessoas que da mesma forma tiveram infarto porém, não apresentavam entupimento de coronárias.
Foram incluídos os pacientes com historia de infarto do miocárdio sem obstrução de coronárias registrados no estudo “SWEDEHEART”, entre 2003 e 2013. Neste período ocorreram 199.162 registros de Infarto do miocárdio, sendo que 9.466 pacientes não  apresentavam obstrução de coronárias. Deste grupo sem obstrução, 330 pacientes foram a óbito no primeiro mês e os 9.136 que sobreviveram constituíram a população estudada. A média de idade foi de 65,3 anos e 61% eram mulheres.
Os tratamento foram estatinas, inibidores da ECA, bloqueadores dos receptores da angiotensina (IECA / BRA), betabloqueadores e terapia dupla antiplaquetária. O desfecho primário foi eventos cardíacos adversos graves definidos como mortalidade por todas as causas, hospitalização por infarto, acidente vascular cerebral isquêmico e insuficiência cardíaca.
O resultado para nos que fizeram uso de estatinas houve uma redução de 23% nos eventos cardíacos adversos maiores em 4 anos, comparado com os que não receberam estatinas. Nos tratados com inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA) / receptor da angiotensina houve uma redução significativa de 18%. Nos que usaram betabloqueadores houve redução de 14%, porém, foi significativa estatisticamente quando o risco era ajustado para outros fatores. A terapia antiplaquetária dupla não teve efeito significativo.
CONCLUSÕES
Os resultados indicam que nos pacientes com historia de infarto do miocárdio sem obstrução de coronárias provavelmente se beneficiam, a longo prazo, no tratamento com estatinas e IECA / BRA, uma tendência para um efeito positivo do tratamento com betabloqueador e um efeito neutro para terapia antiplaquetária.
Fonte: https://doi.org/10.1161/CIRCULATIONAHA.116.026336. Circulation. 2017;CIRCULATIONAHA.116.026336. Originally published February 8, 2017