Associação entre fatores de risco cardíaco potencialmente modificáveis e a necessidade de melhorar a Saúde: um Estudo baseado na população

Associação entre fatores de risco cardíaco potencialmente modificáveis e a necessidade de melhorar a Saúde: um Estudo baseado na população
Apesar das décadas de progressão constante, a doença cardíaca isquêmica continua a ser uma das principais causas de morbidade e mortalidade. Grande parte dos progressos realizados até agora tem sido atribuída aos avanços nas intervenções agudas e terapias cardiovasculares preventivas secundárias. Entretanto, as mudanças nas tendências dos fatores de risco são estimadas em cerca de metade a dois terços das melhorias observadas nos países desenvolvidos.

Os aumentos emergentes na prevalência de certos fatores de risco cardiovascular (particularmente obesidade, diabetes mellitus e hipertensão) ameaçam interromper ou potencialmente reverter esses ganhos de saúde pública. 

De fato, recentemente foram relatadas melhorias ou aumentos desproporcionalmente mais lentos na mortalidade por doenças isquêmicas do coração entre os jovens, especialmente entre as mulheres, que coletivamente ressaltam a necessidade de reforçar as estratégias preventivas primárias. 

Um grande estudo baseado na auto-respostas a um questionário descobriu que, para cada fator de risco cardiovascular modificáveis adicional, as pessoas estavam propensas a relatar que precisavam fazer mudanças tais como fazer mais o exercício, ou parar de fumar, em seguida, diminuir a ingesta.

No entanto, um em cada cinco indivíduos que tiveram o maior risco de ter um evento cardiovascular (desde que tiveram cinco ou mais riscos modificáveis) não consideravam que eles precisavam melhorar seus hábitos de saúde.

Assim, "uma proporção substancial de indivíduos em risco de eventos cardiovasculares não sentem a necessidade de melhorar a sua saúde física", disse o Dr. F Daniel Ramirez (University of Ottawa Heart Institute), em seu estudo que foi publicado online em 03 de maio de 2017 no Journal of the American Heart Association.

Estes resultados mostram que há "uma necessidade urgente de saúde pública para identificar meios para modificar percepções e comportamentos, melhorar esforços preventivos cardiovasculares", de acordo com os autores.

Diminuição nos riscos cardiovasculares representam cerca de metade a dois terços das melhorias alcançadas recentemente na doença cardíaca nos países desenvolvidos, de acordo com os autores. Aumento da prevalência de risco, mais especialmente a obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão, ameaça acabar mesmo reverter estes ganhos em saúde.

Os pesquisadores tiveram como objetivo estudar percepções de saúde usando dados da Pesquisa de Saúde Comunitária canadense dos anos de 2011 a 2012. 

Eles identificaram e entrevistaram 47.269 adultos de Alberta, Manitoba, Quebec, Nova Escócia, Prince Edward Island, e Terra Nova e Labrador. A pesquisa perguntou às pessoas "Você acha que há alguma coisa que você deve fazer para melhorar a sua saúde física?" e "Existe alguma coisa que você parar de fazer essa melhoria? O quê?"

Os investigadores examinaram os dados para oito dos nove fatores de risco modificáveis: menos de 4 horas por semana de exercício moderado; obesidade (IMC> 30 kg / m2, um substituto para a obesidade abdominal); comer menos de cinco frutas e vegetais por dia; fumar nos últimos 12 meses; estresse; ingerir mais de quatro bebidas alcoólicas / semana ou abstinentes; diabetes do tipo 2; e hipertensão.

Perto de três quartos dos entrevistados (74%) relataram que precisava mudar alguns comportamentos de saúde, e 81% planejavam fazê-lo no próximo ano. A intenção mais comum foi de fazer mais exercícios físicos e também tinham planos de perder peso, melhorar sua dieta e reduzir ou parar de fumar, juntas  estas questões respondiam por 91% das alterações planeadas.

As pessoas que tinham menos de 60 anos, com nível de instrução de pelo menos o ensino médio ou e renda familiar moderada foram mais propensos a fazer um planemento para melhorar os hábitos de saúde.

Após o ajuste para fatores de confusão as pessoas que fumavam ou eram obesas ou sedentárias eram mais propensos a relatar que eles precisavam melhorar a sua saúde física.

Baixo consumo de frutas e de vegetais e estresse foram modestamente associado com a necessidade de melhorar os hábitos de saúde, mas hipertensão, consumo de álcool, e a diabetes tipo 2 não foram associados com essa necessidade.

No entanto, 83% das pessoas com cinco ou mais fatores de risco modificável pensavam que precisavam de fazer mudanças para melhorar sua saúde.

Daqueles que sentiram a necessidade de fazer mudanças de estilo de vida, 56% relataram que seria difícil, principalmente pela falta de força de vontade, também por não haver tempo disponível devido aos horários do trabalho e as responsabilidades familiares.

"Embora as associações possam sugerir um grau de consciência pública sobre as implicações para a saúde dos fatores der risco, esse estudo sugere que é, em geral,  modesto e inconsistente", Ramirez et al.

Além disso, ao passo que as pessoas devem estar cientes de que elas precisam melhorar sua saúde física mas, isso por si só pode não ser suficiente para provocar uma mudança de comportamento de saúde, eles observam.

Assim, é necessário mais investimentos para mudar estilos de vida. "Para  conseguir benefícios, é necessário maior percepção dos fatores de risco e estímulos para mudanças efetivas nos comportamentos pois, mesmo entre aqueles em maior risco quase 1 em cada 5 não sentem que precisam melhorar sua saúde física. 

Fonte

http://jaha.ahajournals.org/content/6/5/e005491

Association Between Self Reported Potentially Modifiable Cardiac Risk Factors and Perceived Need to Improve Physical Health: A Populationâ€ÂBased Study
F. Daniel Ramirez, Yue Chen, Pietro Di Santo, Trevor Simard, Pouya Motazedian, Benjamin Hibbert

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